do pedido

E você disse que leu as coisas que escrevi. Para outros. Sobre os outros. E eu entendo que, então, você queira que eu escreva pra você também. Sobre você. E pra me camuflar eu te digo que só está escrito ali aquilo que já passou, que não é mais. E assim, te deixo a desejar que não mais haja algo ali pra você ou sobre você porque subliminarmente quero dizer que se há é porque acabou e você não quer que acabe (ou eu não quero que acabe). Ou pelo menos, assim eu penso que gostaria naquele momento em que você timidamente expressou sua vontade. No fundo, confesso, fiquei foi feliz de saber desse seu desejo que podia ser um segredo seu que virou nosso tão generosamente compartilhado que foi. O que eu devia ter dito, na verdade, é que um texto, uma história, uma estória não surge assim de caso pensado... Surge como um apelido que pega à toa (não como todos aqueles outros que tentei inventar). Nasce do coração que comanda o cerébro e faz escrever. Brota do acaso, no meio do trabalho, resultado da inspiração súbita de uma lembrança daquele dia, daquele beijo, da saudade que eu não sabia que sentiria, da vontade que eu não imaginava sentir um dia. Metáfora da nossa história. Há uma história e uma estória e agora há um pequeno texto que também é, fazendo jus à metáfora, um pequeno excerto de nossas vidas. Ele está aqui hoje, dizendo pra você coisas que talvez eu não ousasse dizer. Ele está entregue a você como posso estar sem sentir vergonha do que possa sentir porque não importa o que pode vir a ser. Transparente, revela a alma. E como um espelho reflete um querer. Simples demais: quero tanto!

Um comentário:

Anônimo disse...

Quero mais!!